A capsulite adesiva do ombro ou ombro congelado é umas das síndromes dolorosas do ombro a que mais gera polêmica, tanto do ponto de vista terapêutico como diagnóstico.

A sua causa é desconhecida, porém sabe-se de sua associação com doenças aparentemente sem relação direta com o ombro.

Em 1872 Dr. Duplay descreve a rigidez dolorosa do ombro e atribui a sua causa à aderências fibrosas da bursa e descreve seu tratamento pela manipulação do ombro sob anestesia, naquela época, feita com clorofórmio.

Na capsulite adesiva, a cápsula articular, a qual reveste por dentro a articulação do ombro, sofre um processo inflamatório e encolhe, encurta, limitando os movimentos do ombro e causando desconforto e dor.

A limitação de movimento e dor no ombro também pode ser causada pela tendinite do manguito rotador, tendinite do cabo longo do bíceps, AVC (Acidente Vascular Cerebral), epilepsia, uso de fenobarbital, lesões na coluna cervical e quando há associação com outras doenças como diabetes, doenças da tireóide e também pela falta de uso como em imobilizações do membro superior muito prolongada.

A dor que se agrava rapidamente é o primeiro sintoma da doença que progride em três fases:

  • Na primeira fase, chamada aguda, a dor no ombro cresce rapidamente e passa também a ser dor noturna, que perturba o sono e pode afetar o psiquismo do paciente. A mobilidade do ombro é muito dolorosa e os movimentos perdem sua amplitude. Esta fase dura de três a seis meses.
  • A segunda fase é chamada de fase de congelamento, a dor diminui de intensidade, mas persiste à noite e na tentativa de movimentação do ombro, que se apresenta rígido. Esta fase dura cerca de doze meses.
  • A terceira fase é chamada de descongelamento. Ela é caracterizada pela liberação progressiva dos movimentos, que podem demorar até 24 meses para retornar totalmente.

O diagnóstico é feito por artro-ressonância magnética do ombro, onde o contraste é injetado, na tentativa de distender a cápsula articular para avaliarmos o volume capsular e a retração dos ligamentos.

O tratamento é clinico, com analgésicos, antiinflamatórios, antidepressivos (amitriptilina), bloqueio do nervo supra escapular com anestésico, fisioterapia para analgesia e atualmente com a hidroterapia tem se obtido resultados muito bons, com ganho de movimento e eliminação da dor.

O tratamento cirúrgico só é indicado quando a falha do tratamento conservador mesmo após um ano da doença.

A cirurgia é feita por via artroscópica com a soltura de toda a cápsula articular e ligamentos.

O tratamento com medicamentos e inicio precoce da hidroterapia, complementam o tratamento cirúrgico e mesmo assim o retorno à mobilidade é demorado.

Na capsulite adesiva do ombro nos sentimos como o personagem Horácio, de Mauricio de Souza, com os “braços curtos”.

 

Mauricio Salomão Fadel